segunda-feira, 30 de março de 2009

POS-COMUNHÃO


QUANTO NOS MISTURAMOS
NA COMUNHAO
DEIXO DE VIVER
E TU PASSAS SER TUDO EM MIM

QUANDO NOS MISTURAMOS
VIVO O CEU NA TERRA
DESCUBRO TUA VERDADE
MERGULHO NA ETERNIDADE
AGORA E AQUI

QUANDO NOS MISTURAMOS
TORNO-ME TUA IMAGEM
ASSIM, TRANSFORMO-ME EM AMOR
ENCHO-ME DE SABOR
E SALGO O MUNDO ASSIM.

QUANDO NOS MISTURAMOS
ABRE-ME A VISÃO
VEJO TUDO DIFERENTE
O IRMAO A MINHA FRETE
TORNA-SE DE FATO IRMAO.

SACRÁRIOS



MARIA, VIRGEM, MÃE
SACRÁRIO, PRIMEIRO DO DEUS-HOMEM-PÃO
QUE HÁ POUCO NA COMUNHÃO RECEBI.
OH MAE, INTERCEDEI POR MIM.
PARA QUE ASSIM,
COMO VOSSO VENTRE FOI SACRÁRIO PERENE,
VOSS’ALMA SACRÁRIO PARA SEMPRE,
E MINHA BOCA, POR UM INSTANTE
ENTÃO, MEU CORAÇÃO NO VOSSO
E NO DE VOSSO FILHO
ETERNO SACRÁRIO SEJA.
AMEM

SER OU NÃO SER

Imerso em teu ser,
Encontro o meu.
Só posso ser,
Se sou em ti.

Ter sem teu ser,
É nada ter!
Sem ter com teu ser,
Tudo ter!

Tu és meu Ser!
Meu Ter!
Meu Sou!
Meu Deus

Profeta Poeta



Oh Espírito de Deus de Jeremias,
Dai-me lágrimas!

Estes versos são profecia
Vou profetizar poetizando
Poetizar profetizando
Estas são minhas lamentações
Não venha me consolar
Denúncias!
Não se atreva me calar


Oh capitalismo capetalista!
Esconjuro-te! Denuncio-te!
Uns comem o pão do suor dos outros!
Outros suam de barriga vazia!


Oh ganância verminosa
Polvora das guerras, dos genocídios...
Da coisificação da humanidade,
Do Capital Imperialista.

Pés de ferro e barro, escutai-me!
Seus dias estão contados,
O Eterno já estabeleceu eternamente.
A Rocha há de esmiuçar-te.

Compromisso Radical (João 6)


Duro é este sermão!

Até sinto desejo de partir!

Mas, eternidade só há em ti.

Para onde iria, então?


Quero comer da tua carne,

Verdadeira comida.

Quero beber do teu sangue,

Verdadeira bebida.


Não quero seguir a multidão,

Que encerra sua peregrinação

Após a multiplicação.

Quero ter comunhão!

Divino Ofício (Acróstico)



Eternidade num átimo,
Unidade na diversidade,
Cura na enfermidade,
Ânimo no desalento,
Realidade na ilusão,
Intimidade na distância,
Santidade na humanidade,
Tolerância na diferença,
Irmandade na solidão,
Acolhida no abandono,

Usar ou Amar: Eis a questão!


O materialista diz...:

Ame o dinheiro, acima de tudo.
Pois sem ele, você não é nada.
Com ele você pode ser o dono do mundo.
Então, aplique-o! Deposite-o! Ou erga a ele um altar.

Ame a sua casa, seu seguro abrigo,
Ora! O que é um homem sem um teto?
E se o seu filho fizer na parede um rabisco,
Espanque-o, e ponha a parte todo o afeto.

Ame também o seu luxuoso veículo.
Siga este conselho: carona só para “gatas”.
Cuidado, porém, para que nenhum pedestre cretino
Suje com sangue toda a lata.

Use sua amante, para teres alegria.
Que ela faça tudo a seu bel-prazer.
Abuse de seu corpo, é tua mercadoria.
Produto descartável; rejeite-a quando não te satisfizer.

Use e abuse de seu empregado.
Corte salário, férias... para não teres prejuízo.
É analfabeto como um asno, o pobre coitado.
Ignora a lei e de nenhum modo te levará a juízo.

Use sua esposa, seu grande troféu.
Ela que outrora era cheia de beleza.
Você, para conquistá-la, encarnou um Romeu.
Hoje você o chefão, ela é roupa, é cama, é mesa.

Use, abuse, manipule a todos.
Conquiste aplausos, ambicione e prospere.
Tire proveito do fracasso de outros.
E a quem for inútil para você : todo o escárnio, humilhação, e desprezo.


Deus diz...:

Use o dinheiro e supra as suas necessidades,
Divida-o com os pobres e miseráveis também.
Pois para Deus, o Deus da verdade,
Você é o que é e não o que tem.

Use sua casa e faça dela um lar,
Para você, sua amada e seus filhos queridos.
As portas estejam sempre abertas
Para os órfãos, viúvas, amigos e até inimigos.

Use o seu veículo para se locomover,
Trabalhar, estudar e também passear.
E quando um sujo pedinte de dor padecer,
Socorra-o sem se importar se o banco sujar.

Quanto ao amor – não escolha, ame a todos,
Para cumprir todos os mandamentos.
Ame a Deus acima de tudo.
Não seja de nenhum modo avarento.
E Ame o próximo acima do ego.

Quanto ao usar: use só as coisas.

SORO POSITIVO

(A Juscélio, meu irmão, que lutou e venceu a batalha pois guardou a fé)

Olhou para um lado:
“Nossa, ele tem AIDS”!!!
Voltou-se para o outro:
“Mexeu com drogas de nisso”.
Virou-se noventa graus:
“Homossexual com certeza”.
Agora, cento e oitenta:
“Viveu se prostituindo”.
Abaixou a cabeça,
Não havia nada,
Não havia flores,
Não havia canto,
Não havia chão.
Levantando uma tonelada,
Olhou para cima e ouviu:
“Não importa,
Eu te amo”.

Jardim de Oração


No jardim de oração,

Um homem sereno na penumbra,

Onde um sorriso não se vislumbra,

E não há dança nem se faz canção.


O que se vê neste jardim?

Um homem que está orando,

Olhos que vão lacrimejando,

Afasta este cálice de mim.


Do traidor o ósculo maldito,

Depois dele o julgamento,

Do povo vem o veredicto,


Que dê a ele um grande tormento,

Morrer na cruz nosso bendito,

Por amor tão puro e imenso.

O Comandante e o Canoeiro (DIALOGO)


Lá, bem do alta da grande embarcação, grita o comandante:

(COMANDANTE)

Eia canoeiro, diga-me, qual o seu destino?


(CANOEIRO)

À Ilha da conquista vou avante.


(COMANDANTE)

Más homem, como chegarás com tão fraca embarcação?

Venha ao meu navio, pois a ilha conquistarei.

(CANOEIRO)


Caro comandante, não atentes para a aparência, nem me faças humilhação.

O meu companheiro de viajem disse-me que lá eu chegarei.


(COMANDANTE)

Louco, ouça o que diz o homem do tempo:

“Ventos fortes virão, furacões, raios e trovoadas”.


(CANOEIRO)

Ouves a voz do homem que prediz o tempo

Eu ouço a voz do Senhor do tempo, que vai comigo nesta jornada.

Senhor, senhor, já chegamos a conquista.

Venha comigo, pisemos a ilha e apreciemos a vista.

Obrigado pela vitória e por estar comigo por toda a lida.


(COMANDANTE)

GLUB, GLUB, GLUB, GLUB...

José


Sou José, como tantos da silva,
Pai de dez filhos, minha esposa é Maria.
Mas pode me chamar de Zé,
Pois meu nome não é importante, minha vida não é vida.

Como tantos Josés, outros tantos da silva
Do sertão eu saí, da seca fugi.
Para a cidade grande, para um sonho alcançar.
Só alcancei amargura, e três filhos perdi.

A Antônia, coitada, arranjou um emprego.
O dinheiro que ganhava não dava nem para se vestir.
Saía, quase nua, antes do sol se por.
Voltava bem casada, depois do galo cantar.

O Chico nanico também arranjou um emprego.
Saía pela manhã, engomado e bem penteado.
No final do mês me dava parte do salário,
A outra parte guardava para comprar um tal de Nike.

Ah! O Manoel conseguiu um bom emprego!
Só que tinha que viajar muito.
Quando voltava, trazia presentes caros para todos.
Depois saía dizendo que ia pegar um carregamento

A Maria minha esposa, minha vida.
Vive de lavar roupa para quem não gosta desta lida.
Dores na costa, muita peleja.
Um pouco de felicidade, só em casa onde é rainha.

Os outros sete meninos e meninas dos meus olhos,
Quatro ainda são barrigudinhos, cabeça grande, nariz escorrendo;
Aninha de seis aninhos não sai da saia da mãe;
Dois estudam. Quatro anos a mesma coisa! Querem ser doutor.

Um dia chegou aqui um homem engravatado.
Pele clarinha! Falava muito e eu não entendia nada!
Só entendi que ele me daria uma casa nova
Se nele votasse - queria ser deputado.

“Tem doença de rico e doença de pobre”.
Era o que eu pensava até ver com os meus olhos
Antônia se definhando. À disenteria e à pneumonia, conseguiu resistir.
Tomou um tanto de remédio e engordou um pouquinho.

Ela emagreceu de novo, adoeceu e partiu.
Nunca se viu alguém de gripe morrer!
O médico disse que ela pegou uma tal de AIDS,
Doença que eu pensava: “é só de artista de TV”.

Ah! Acabei descobrindo o que é Nike:
Era só um tênis que o Chico queria.
Não sei porque tinha que ser daquela marca,
Para não pisar em pedra e espinho qualquer coisa servia.

Mas, eu acho que deste tênis só tinha um par.
Pois, outro menino queria também e não pode comprar.
Com o Chico brigou, bateu e apanhou.
Enfiou-lhe um punhal e o calçado levou.

Manoel prosperou muito. Até carro comprou!
Perguntei-lhe um dia, qual era o seu negócio.
Respondeu-me que comprava e vendia um pó.
(Eta pó abençoado pra dar tanto dinheiro!).

Certo dia, o Manoel ficou muito famoso.
Sua cara estava em jornais e até na televisão.
No "jornal do povão", quanta tinta vermelha
Na foto do Manoel deitado no chão!

Ainda sou José, ou Zé como queira.
Como outros tantos da Silva e do morro.
Da casa de tábua coberta de zinco,
Da esperança acabada e do sonho esquecido.

Casa nova não veio, o Deputado sumiu.
Nas eleições votei nele, será que ele soube?
Será que a gravata o enforcou?
Talvez já seja presidente do Brasil.

Deserto


Estou no deserto,

Perante ti, oh Deus de minha vida.

Sendo moldado, talhado ti.


Estou no Deserto,

Seguro, nos teus braços descanso,

Em teu tabernáculo, adoro-te.

De tua mesa, sacio-me.


Neste deserto, tu me sustentas,

Neste deserto, minh’alma alimentas,

És o maná que desce do céu,

E a água da rocha que mata minha sede


Neste deserto, tu me aqueces.

Neste deserto, me refrigeras.

És o calor das noites mais frias

E a nuvem que me cobre nos dias mais quentes.


Neste deserto, tu me transformas,

Neste deserto, eu te adoro.

Tuas mãos me moldam

E me faz ser o teu tabernáculo.