Exmo. Rvmo. D. Vitório,
Lendo vossa declaração sobre a “Associação São Pio X” fiquei espantado com tamanha ignorância acerca do que representa a FSSPX e a crise atual da Igreja. Para que eu não incorra em pecado contra o 8º mandamento da Lei de Deus, ainda contra um sucessor dos apóstolos, prefiro acreditar na vossa ignorância do que acreditar que V. Ex.ª Revma tenha agido de má fé, manipulando fatos e escondendo a verdade.
Primeiro, V. Ex.ª Revma erra o nome deste instituto, ao qual Igreja terá sempre uma grande dívida por conservar e defender a liturgia e a doutrina de sempre, tesouros que foram tão maltratados e quase destruídos pelo “1789 na Igreja” (O Concílio Vaticano II). O nome daquele glorioso instituto é Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Depois o V. Ex.ª Revma erra o nome do Santo Atanásio de nossos tempos: sua excelência reverendíssima Monsenhor Marcel Lefebvre. Um homem que espero ainda ver elevado a honra dos altares. Um bispo de verdade, que confirmou a fé de multidões de católicos perplexos com o triunfo do modernismo e do liberalismo pós concílio... Lutou o bom combate da fé, junto com o Leão de Campos – D. Antônio de Castro Mayer. V. Ex.ª Revma deveria conhecer melhor estes dois, para saber o que deve ser um bispo diante da apostasia geral pela qual passar a santa Igreja de Deus.
V. Ex.ª Revma parece acreditar que estamos obrigados a aceitar o Concílio Vaticano II para fazer parte da Igreja, entretanto, o concílio rompe em muitos aspectos com o magistério anterior, como por exemplo, de que fora da Igreja não há salvação. Obrigar os fieis a aceitá-lo é transformá-lo num super-dogma que sobrepõe aos dogmas já definidos. Além do mais, o Papa João XXIII e Paulo VI declaram o concílio pastoral, e deixaram claro que este não se pronunciaria de modo infalível e dogmático, portanto o concílio não é vinculante a fé católica. Exitem hoje a bispos e padres, em “plena comunhão” com a Santa Sé, que questionam o Concílio. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão, inclusive pediu um Syllabus de erros do concílio Vaticano II; outro, o Mons. Guelhardini escreveu o livro Concilio Vaticano II, un discorso da fare. Deste destaco dois trechos muito esclarecedor sobre esta vossa posição em relação ao concílio:
“Esta é a “ratio” que guiou, desde o início ao fim, o Vaticano II. Quem, citando esse Concílio, o equipara ao Concílio de Trento e ao próprio Vaticano I, creditando-lhe uma força normativa e vinculante, que, de per si, ele não possui, comete um ilícito e, em última análise, não respeita o Concílio “(Mons. Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II: Un Discorso da Fare, Prólogo, Casa Mariana Editrice, Frigento, 2009, p. 23. Os destaques são do autor).
“Isso confirma que o Vaticano II não pode definir-se como “dogmático” em sentido escrito e que as suas doutrinas, não reconduzíveis às precedentes definições, não são infalíveis e nem irreformáveis, e portanto elas não são nem mesmo vinculantes: quem as negasse nem por isso seria formalmente herege. Quem, depois, as quisesse impor como infalíveis e irreformáveis caminharia contra o próprio Concílio” (Mons. Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II: Un Discorso da Fare, Prólogo, Casa Mariana Editrice, Frigento, 2009, p. 51).
Mons. Brunero Gherardini termina o seu livro fazendo um apelo ao papa para resolver, se possível infalivelmente, toda a confusão levantada pelo concilio (leia a carta dele aqui: http://fratresinunum.com/2010/01/12/uma-suplica-ao-papa-bento-xvi-monsenhor-brunero-gherardini-concilio-ecumenico-vaticano-ii-un-discorso-da-fare/).
V. Ex.ª Revma. ainda levanta uma série acusações graves contra a FSSPX e os fiéis que recebem o sacramentos de seus sacerdotes: diz que são cismáticos, os declara excomungados, que não aceitam a autoridade do papa e que declaram a missa nova inválida. E, V. Ex.ª Revma. sequer dá o trabalho de provar o que diz, o que chega a ser desonesto.
Primeiramente a Fraternidade não é Cismática, “Eles estão na Igreja”. (Cardeal Castrillón Hoyos, 30 de setembro de 2005). Não estão excomungados, O atual Papa Bento XVI anulou uma sentença de excomunhão pronunciada pelo Bispo do Hawaii, por falta de fundamento (decreto 28/06/93). Além disso, o Decreto da Sagrada Congregação para os Bispos de 21/01/2009 põe fim à dúvida. Ela reconhece o sucessor de Pedro, “A Fraternidade sempre reconheceu em João Paulo II, e agora em Bento XVI, o legítimo sucessor de São Pedro. Isso não é um problema”. (Cardeal Castrillon Hoyos, 30 de setembro de 2005) (http://www.fsspx.com.br/exe2/?p=259).
Sobre a Missa Nova, de Paulo VI, nós dois bem sabemos que não foram mudadas apenas a posição do padre e a língua da missa, mas toda a liturgia foi mudada de forma que não fique claro a doutrina de sempre da Igreja sobre o Santo Sacrifício da Missa. Ora, mesmo que a missa nova seja protestantisada (seis ministros protestantes ajudaram em sua elaboração), como defende a FSSPX, e que nesta missa não fique tão claro e inequívoco a profissão de fé católica no Santo Sacrifício da Missa e na real presença de Cristo nos Santíssimos Sacramentos, se ela tem Matéria, Forma e Intenção Válida do Ministro, é lógico e evidente que a fraternidade a aceita como válida apesar dos defeitos da mesma, e por esta razão, poderia demonstrar a ilicitude desta missa, mas o espaço não me permite. Quanto a validade de todas as missas novas celebradas, há de se questionar. Principalmente neste país tão dominado pela heresia da “Teologia Libertação”, que deturpa todos os dogmas católicos. Será quantos padres atualmente tem intenção válida ao celebrar a Santa Missa?
Sobre a protestantização da Missa veja o que disseram dois ministros protestantes:
Com a Nova Liturgia, as comunidades não católicas poderão celebrar a Ceia do Senhor com as mesmas preces da Igreja Católica”. – Max Thurian, Ministro protestante de Taizé
- “… Na Missa renovada não há nada que possa transtornar o Protestante Evangélico”. – M. G. Siegvalt, Professor protestante de Teologia Dogmática, Estrasburgo
Como eu posso, Ex.ª, em consciência, assistir a esta missa? Não posso. Eu já fui protestante por 15 anos de minha vida e não vim para lado de cá encontrar a mesma coisa que havia do lado de lá. Vim encontrar a Igreja de Cristo que é a Igreja Católica (e não apenas subsiste nela conforme ensina o concílio). Os últimos anos que passei no protestantismo foram no anglicanismo low church. Lá eu conheci uma missa nova, semelhante a de Paulo VI. Quem copiou de quem?
V. Ex.ª Revma diz está aberto ao diálogo. Este é o grande problema da Igreja pós conciliar – o diálogo. Talvez V. Ex.ª Revma ainda acredite no diálogo ecumênico. V. Ex.ª Revma fala em buscarmos juntos a verdade. Mas, a Igreja não está comissionada ao diálogo com o erro, como fazem os clérigos modernistas atualmente, e como faz o próprio papa e o fará no encontro demoníaco de Assis... A Igreja não tem que buscar a verdade, ela está fundada na verdade. A Igreja foi comissionada, na pessoa dos apóstolos e seus sucessores, a ensinar a todas as nações, conforme ordenou Ns. Senhor, e se estamos errados o V. Ex.ª Revma deve demonstrar o nosso erro, de acordo com o que a Igreja sempre ensinou em todos os tempos e em todos os lugares, e nos ensinar a verdade, e não dialogar. Isto a FSSPX tem tentado fazer em Roma, tentando demonstrar os erros do concílio a fim de que esta se converta a fé da Igreja de sempre.
Nos dados sobre a “associação” V. Ex.ª Revma erra ainda mais grosseiramente: Dom Tomás de Aquino não é bispo (quem dera que este grande sacerdote o fosse!). Dom Tomás é prior do Mosteiro da Santa Cruz em Nova Friburgo. Um sacerdote que conheço pessoalmente. Sei de sua indoneidade moral e espiritual, de seu caráter firme, e de sua disposição de servir a nosso senhor. Seria um grande bispo, mas ele não é.
Por fim, fiquei curioso em saber porque V. Ex.ª Revma se incomoda tanto com Ir. Joana D’Arc. Não entendi a razão de divulgar seu telefone e seu bairro. De qualquer maneira, rezo para que Deus tire um bem maior desta situação, e que isto sirva para divulgar mais o belo trabalho da Fraternidade e destas irmãs.
Beijo vosso anel e peço de joelhos vossa benção episcopal,
Wélio Dias Barbosa – Belo Horizonte.
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